São Tomé e Príncipe assumiu a presidência do Comité Consultivo Permanente das Nações Unidas para Segurança na África Central (UNSAC, em inglês), com o primeiro-ministro do arquipélago a pedir determinação a favor da paz e estabilidade na região.
É a terceira vez que São Tomé e Príncipe assume a presidência da organização, sucedendo agora à República do Congo.
A passagem da presidência decorreu durante a 55.ª reunião ministerial da UNSAC, na capital são-tomense sob o tema “segurança climática na perspectiva da prevenção de conflitos e consolidação da paz e estabilidade na África Central”, que o primeiro-ministro são-tomense considerou “actual, transversal e de preocupação universal”.
Patrice Trovoada sublinhou que “muito foi feito” durante os 30 anos da existência da UNSAC, mas há “um longo caminho pela frente”, por isso apelou para “uma reflexão impregnada de realismo e a uma discussão desapaixonada, capaz de permitir melhorias e avanços”.
“Esse apelo ganha ainda maior relevância pelo facto de recair sobre a República Democrática de São Tomé e Príncipe a responsabilidade de assumir as rédeas dos trabalhos nos próximos seis meses”, sublinhou o chefe do Governo são-tomense.
Patrice Trovoada referiu que apesar das várias potencialidades a África Central “continua a ser uma das regiões “que alberga muitos pobres, muitas populações vulneráveis climaticamente” e “não consegue descolar dos últimos lugares dos indicadores mundiais do desenvolvimento humano”, embora seja “uma das mais ricas do planeta”.
Por seu turno o representante das Nações Unidas para a África Central, Abdou Abarry também apelou à cooperação regional e internacional para encontrar soluções sustentáveis para os desafios da região, nomeadamente as crises políticas, conflitos armados, terrorismo, criminalidade organizada transnacional, insegurança marítima, violações dos direitos humanos, tensões sociais, conflitos intercomunitários e desigualdades, “amplificados pelos efeitos das alterações climáticas”. “Todas estas situações, como certamente concordarão, minam a segurança e a estabilidade da África Central, comprometendo assim os esforços de desenvolvimento e de construção da paz. Temos de intensificar as nossas ações para enfrentar estes desafios, reforçando a cooperação regional e internacional, partilhando mais informações e melhores práticas e investindo em soluções sustentáveis que abordem as causas profundas destes problemas”, disse Abarry citado pela Lusa.