As repúblicas da Guiné-Bissau e do Senegal projectam alargar para 30% a partilha de petróleo na zona de exploração comum, um desiderato que tem origem no país lusófono e que já chegou ao conhecimento do líder senegalês, de acordo com o secretário-geral da Agência de Gestão e Cooperação (AGC) entre os dois Estados, Inussa Baldé.
Actualmente, os níveis de partilha para a exploração de petróleo na zona comum entre os dois países estão fixados nos 15%, cifra que deverá estender-se, nos próximos tempos, aos 30%.
Para já, a Guiné-Bissau, por via do seu chefe de Estado, garantiu que o objectivo é avançar com a estratégia, mecanismo que irá aumentar a actividade logística e de prospecção nos 60 mil quilómetros de extensão marítima partilhada entre os países, área onde se acredita existirem importantes recursos haliêuticos e hidrocarbonetos.
Inussa Baldé, que falava em conferência de imprensa em Bissau, foi o porta-voz desta ‘boa-nova’ e garante que o presidente Umaro Sissoco Embaló vai conseguir materializar a ideia, apontando as boas relações entre os dois estadistas como garantia de que a iniciativa correrá bem. O secretário-geral da AGC disse ainda que, em caso de descoberta de petróleo, os dois países voltarão a sentar-se à mesa para analisar a possibilidade de um novo aumento que vá além dos 30%.
De acordo com o histórico deste programa, a Guiné-Bissau dispensou 46% do seu território marítimo para a constituição da Zona de Exploração Conjunta (ZEC), em 1993, e o Senegal 54%, sendo que na altura ficou acordado que em caso de descoberta do petróleo os guineenses ficariam com 15% e os senegaleses com 85%.
Já em relação aos recursos haliêuticos, a partilha entre os dois países determina 50% para cada lado. Nos últimos tempos, vários sectores guineenses têm contestado a chave de partilha do petróleo, que consideram injusta.
“O Presidente quer aumentar a fasquia de 15% para 30% para a Guiné-Bissau em caso de descoberta de petróleo na zona. O Presidente, considerando as suas boas relações com o seu homólogo do Senegal, está a bater-se para que não fiquemos em 15%. Nas discussões com o seu homólogo falou-se em dar à Guiné-Bissau 20%, ele disse que não”, conta Inussa Baldé.
O responsável adiantou que Sissoco Embaló só admite um novo acordo se o país atingir pelo menos 30% e que o próprio fará o anúncio do facto, que, disse, “será uma boa coisa para a Guiné-Bissau”. “Os chefes de Estado só vão assinar um novo acordo [de partilha] se a Guiné-Bissau estiver em condição de vantagem, no mínimo 30%, e ele alcança isso”, afirmou Baldé.
O responsável aproveitou para anunciar que para 2022 estão previstos os trabalhos de perfuração de pelo menos dois dos seis blocos na zona, “com boas perspetivas”.
Fonte: Lusa





